No último domingo de fevereiro, dia 25, a Fundação Cartier de Arte Contemporânea em Paris encerrou a exposição Mali Twist do fotógrafo Malick Sidibé depois de 4 meses em cartaz. Essa exposição que teve curadoria do André Magnin e Brigitte Ollier; fez um tributo ao fotógrafo malinês após a sua morte em 14 de abril de 2016 através de uma retrospectiva acompanhada por um livro e outros eventos que aprofundaram a vivência na obra do artista. Foi nesse mesmo lugar que o fotógrafo malinês realizou sua primeira exposição fora do continente africano há 22 anos atrás.

Através da diversidade, genialidade e coerência, Mali Twist revela o olhar atento e o talento de Malick em mostrar o melhor de cada um de seus assuntos, assim como sua individualidade.  Entre anônimos, rostos e corpos em movimento, poses elegantes e outras fora do controle, Mali Twist ofereceu mais de 250 fotografias, incluindo as imagens icônicas Nuit de Noel (Noite de Noel – 1963) e Un yé-yé en position (Um yé-yé em posição – 1963), assim como trinta e poucas imagens inéditas e impressões vintages produzidas pelo fotógrafo malinês entre os anos 60 e 80.

“Quando os jovens dançam, eles estão embalados na música. Naquela atmosfera, as pessoas não prestavam mais atenção em mim.” – Malick Sidibé

Malick construiu, desde a abertura de seu estúdio em Bamaco em 1962, um trabalho excepcional de fotografia, uma arte de troca em preto e branco, nos clubes e festas durante os anos yé-yé embalados nos ritmos do twist e rock’n’roll.

Se sua regra de ouro era embelezar ou realçar seus modelos, ele também foi testemunha da alegria de viver de uma população jovem de Bamako e sua busca por identidade, logo após a independência do Mali (22 de setembro de 1960).

Essa alegria de viver, de liberdade que foi crucial na fotografia de Malick Sidibé e outros fotógrafos como Seydou Keïta. Quando os negros assumiram o controle dos aparelhos fotográficos no continente africano, em meados do século XIX, as fotos então passaram a retratar a realidade através dos olhos de Alphonso Lisk-Carew e Alex Acolatse, sem a animalização e a exotismo dos colonizadores. Apesar da descoberta tardia de seu trabalho, somente nos anos 90, Malick foi pioneiro em retratar os malineses agregando os valores de poder, felicidade e riqueza mostrados não somente nos objetos do estúdio, mas também nas atitudes e expressões de cada indivíduo. E essa estética carregada do indivíduo negro africano de forma genuína que atraiu o público por conta de sua verdade.

Durante esses 4 meses, podíamos nos deliciar com uma vasta programação de shows com artistas malineses, a trilha sonora feita por Manthia Diawara – que incluíam as músicas Mali Twist de Boubacar Traoré (1963) e artistas como Aretha Franklin, Jimi Hendrix e Tina Turner; e mais documentários, ateliers de bonecos e um estúdio no mesmo estilo do Malick Sidibé, inclusive com os acessórios para recriar a atmosfera da época. Eu como sou muito modesta, fui lá e fiz minha sessão de fotos!!!! rsrs #studiomalick

A moda por Malick 

Malick Sidibé foi inspiração e colaborador de muitos trabalhos artísticos que podemos acompanhar atualmente. Desde de o chá de bebê da Beyonce até campanhas envolvendo marcas como Prada e Louis Vuitton e encomendas de revistas como a New York Times, não é difícil encontrar seus reflexos nas coleções recentes dos designers. E no Brasil, já tivemos a marca FARM se inspirou em seu trabalho para fazer o registro da coleção em 2015, com minhas amigas Renata Terra e sua filha Aaliyah e também a Cibele Costa.

“Eles olhavam pra mim ao invés de me respeitarem. Era melhor assim porque se as pessoas te respeitam muito, eles não querem se divertir com você”

O seu trabalho de valorização da juventude de Mali e toda a cultura por eles desenvolvida é uma inspiração constante para todos. De como devemos nos valorizar, ascender e nos apoiar sem perder o traquejo de se divirtir até porque…

“A felicidade está com o mundo”. Malick falava, pois pra ele a própria fotografia era um exercício diário de aventura e altruísmo.

Até a próxima!!!


  1. https://www.fondationcartier.com/expositions/malick-sidibe-mali-twist
  2. http://www.buala.org/pt/da-fala/etiquetas/malick-sidibe
  3. http://www.jackshainman.com/artists/malick-sidibe/
  4. https://www.moma.org/artists/26555?=undefined&page=1&direction=
  5. http://www.vogue.co.uk/gallery/malick-sidibe-mali-twist-cartier-foundation-exhibition-paris-photographer-beyonce-baby-shower
  6. https://www.elle.com/fashion/news/a35701/malick-sidibe-photography-influence-on-fashion/
  7. https://www.lilianpacce.com.br/e-mais/morre-aos-80-anos-o-malick-sidibe/
  8. http://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/nova/1585254242524455-malick-sidibe-pioneiro-da-imagem-na-africa
  9. http://www.farmrio.com.br/adorofarm/tag/malick-sidibe/_/N-jferge?Nrpp=2
  10. https://revistazum.com.br/revista-zum_6/estudio-malick/
  11. http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/descolonizacao-africa.htm
  12. http://www.jeuneafrique.com/mag/276051/culture/photographie-les-pionniers-africains-et-leurs-heritiers/